Sábado, 12 de Abril de 2008

90 anos da Batalha de La Lys

Quando se assinala o 90º aniversário da batalha de La Lys, evocamos a memória dos militares Flavienses participantes no Corpo Expedicionário Português.
*

*Fotografia tirada a 9 de Abril de 1930

*

As comemorações realizaram-se, hoje, 12 de Abril, no Cemitério Militar Português de Richebourg, onde se encontram sepultados os militares portugueses do Corpo Expedicionário Português (CEP) da I Guerra Mundial, e no monumento de homenagem aos Mortos, da autoria do escultor português, António Teixeira Lopes, na localidade francesa de La Couture.

*

A República portuguesa entrou no conflito europeu no ano de 1916, tendo o primeiro contingente do CEP partido a 26 de Janeiro de 1917 em direcção à Flandres francesa, sob o comando do General Tamagnini de Abreu. Durante dois anos consecutivos, os soldados portugueses combateram nas trincheiras da frente, em condições extremamente duras, sem quaisquer reforços, suportando as agruras dos combates, do frio e das múltiplas privações.

Devido ao cansaço acumulado e à moral que estava muito baixa, foi decidido que seriam revezados por unidades britânicas. Durante esta substituição, em Abril de 1918, deu-se uma grande ofensiva alemã, que constituía um plano para abrir brechas nas linhas da frente dos aliados (onde estava incluído o CEP), tentando forçar o caminho para Paris.

Na madrugada do dia 9 de Abril de 1918, desencadeou-se no sector português uma ofensiva alemã que alteraria o curso da guerra, viria a constituir-se num marco histórico de profundo significado para Portugal, com as tropas inimigas a abaterem-se sobre os soldados portugueses. Aquilo que os portugueses denominaram de Batalha de La Lyz (Batalha de Armentières), foi realmente o primeiro dia da Ofensiva de La Lyz do general Ludendorff, denominada Operação Georgette lançada pelo Sexto Exército Alemão contra a segunda divisão do CEP.

*

C.E.P. - Corpo Expedicionário Português tradução do inglês Portuguese Expeditionary Corps, com que os ingleses denominaram as forças portuguesas que combateram na Grande Guerra, e que mais tarde os próprios soldados portugueses denominaram de "Carneiros de Exportação Portuguesa", pela falta de preparação técnica e ausência de equipamento militar adequado a essa guerra moderna.

*

Segundo o Estado-Maior do Exército, nesse dia, o Corpo Expedicionário Português sofreu dois mil mortos, cinco mil feridos e seis mil prisioneiros.

*

A participação portuguesa na guerra de 14-18 (que se repartiria entre França, Angola e Moçambique) foi na altura, tema de batalhas verbais, entre os partidários de Afonso Costa, no Poder, e as alas da direita republicana, monárquica e clerical, avessas a uma intervenção no conflito.

O golpe militar de 5 de Dezembro de 1917, em Lisboa, protagonizado por Sidónio Pais, parece ter sido a machadada final numa moral beligerante desde sempre frágil. O CEP ficaria entregue à má sorte, por um novo poder a braços com uma inflação nunca vista, falta de alimentos, pestes e a contestação cada vez mais forte de uma guerra distante.

*

*

Embora as romagens anuais efectuadas ao túmulo do Soldado Desconhecido pretendam homenagear «todos quantos lutaram por Portugal, independentemente de qualquer época ou lugar», nunca poderão compensar o "crime" de se ter enviado para a morte, em 1917, milhares de portugueses, que não tinham preparação militar adequada, nem meios materiais e equipamento para uma guerra moderna.

*

O total de efectivos portugueses enviados para a França, entre 1917 e 1918, foi de 55.083. Tivemos 2.086 mortos e 5.524 feridos, o custo do baptismo de fogo, que o governo da República insistiu dar a Portugal para defender o seu Império Colonial.

*

publicado por Flaviense às 14:01
link do post | comentar | favorito
|
7 comentários:
De Manuel Leão a 15 de Abril de 2008 às 03:29
O meu avô paterno (Armando Leão) foi um dos 6.000 prisioneiros desse dia.
É o segundo a contar da esquerda da primeira fila.
De Pedro a 22 de Abril de 2010 às 00:07
Sabes mais alguma coisa sobre os prisioneiros? o meu bisavo paterno teve foi preso em La Lys.
comunica pedrojaneiro12@hotmail.com
cumprimentos
De miguel a 29 de Novembro de 2008 às 23:07
boa noite,
se aluem me podesse ajudar onde obter informaçoes sobre o meu bisavo paterno que era sargento na grande guerra de 1914 e pelo que sei parece que veio para ca apos ter levado com uma granada em que teve que ser operado e que segundo informações parece que hegou a sr condecorado pelo Salazar... se me podessem ajudar onde obter informações sobre ele agradecia ja que pela parte da familia ja pouca gente resta...
obrigado
De Gil Santos a 9 de Abril de 2010 às 14:12
Leia o livro "De Chaves a Copenhaga, a saga de um combatente". Irá encontrar informação precisosa
De Pedro a 22 de Abril de 2010 às 00:09
Vai ao arquivo histórico militar no museu militar em Lisboa. Vais encontrar qualquer coisa.
De esanet a 24 de Setembro de 2013 às 22:03
boas
tenta no arquivo do exercito portugues .
ves na net os contactos
podes pesquizar todos os militares portugueses
abraço
lourenço
De Eunice a 10 de Novembro de 2010 às 00:40
Caros, boa tarde.
Organizei e publiquei em França um Diário de guerra de um soldado, avô do meu marido. Há poucos diários de soldados, este é crítico da hierarquia e pungente. Estava na gaveta, e vimos que aquele voz pertence à História da Humanidade : Joseph Prudhon, recém-casado de seis meses, fez os 4 anos na artilharia, em todas as frentes e escreveu todos os dias, desejou a morte e o amor da esposa o manteve; perdeu um dos 4 irmãos (todos na guerra e órfãos de pai), um cunhado, primos, muitos amigos conterrâneos do Jura francês, viu morrer alguns ao lado dele: Journal d'un soldat - Recueil des misères de la guerre 1914-1918, Paris, l'Harmattan, outubro 2010.
ESTE TRABALHO me comoveu até ao âmago da alma, pois soube há 7 anos que um tio-avô paterno meu morreu naquele horror. Vou investigar, pois gostaria de ressuscitar a voz do meu tio-avô (distrito de Aveiro) do qual nada sei.
Estes documentos na Net são um tesouro para iluminar a escuridão daqueles que procuram um caminho... OBRIGADA.

Comentar post

.SNAP SHOT

.mais sobre mim

.PONTE ROMANA

Concorda que a Ponte Romana passe a ter utilização unicamente pedonal?
Sim
Não
Sem opinião
= Ver resultados =

.Pesquisar neste blog

 

.Setembro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
25
26
27
28
29
30

.Chaves

Creative Commons License

.posts recentes

. José Sócrates em Chaves

. 2009

. Boas Festas

. Cine Teatro de Chaves

. UM HOMEM DEITADO NO CHÃO

. Cadeia Comarcã de Chaves ...

. Chaves, o Rio, as Poldras...

. Azenha do Agapito

. Nova Ponte Pedonal

. Cartaz do Dia

. Depois de XIX Séculos, fi...

. Construção da Ponte Pedon...

.Arquivos

. Setembro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

.tags

. todas as tags

.Links

.Livros em Destaque

Autor – Júlio Montalvão Machado – 2006 - Formato 19 x 27, 462 páginas – 3ª Edição * A MAGIA DE AQUAE FLAVIAE Autor - Mário Gonçalves Carneiro

.Nas termas

online

.Tempo

Weather Forecast
Locations of visitors to this page

.Euromilhões

blogs SAPO

.subscrever feeds